"A mistura fascinante de fanfarronice e humildade, de imprevidência moura, e confiança sebastianista, de "inconsciência alegre" e negro presságio, que constitui o fundo do carácter português,..."
Despertenças
(pertencer sem pertencer)
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
Nobre povo, Nação valente.
Ela está no seu posto de trabalho: na cantina de uma faculdade. O marido, acompanhado de uma criança de cinco anos, filho de ambos, chega à cantina. Ordena ao filho que vá chamar a mãe. A jovem mulher apressa-se a vir. É recebida com o cabo de um machado, que o marido traz consigo, em cima do seu corpo. Há sangue espalhado por todo o lado, a criança não escapa. Os alunos assistem. Chamam a Polícia. A mulher não quer apresentar queixa contra o valentão. O homem assassino vai para casa, em paz. E a mulher? Perde o seu emprego. Foi despedida.
Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Abril já lá vai, mas deixou marcas.
A Terra Devastada, primeira estrofe, de T. S. Elliot
Aqui uma tradução de Gualter Cunha (1999, Relógio d’Água). Retirado de Da Literatura
April is the cruellest month, breeding
Abril é o mês mais cruel, gera
Lilacs out of the dead land, mixing
Lilases da terra morta, mistura
Memory and desire, stirring
A memória e o desejo, agita
Dull roots with spring rain.
Raízes dormentes com chuva da Primavera.
Winter kept us warm, covering
O Inverno aconchegou-nos, cobriu
Earth in forgetful snow, feeding
A terra com o esquecimento da neve, alimentou
A little life with dried tubers.
Alimentou uma pequena vida com bolbos ressequidos.
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee
O Verão apanhou-nos de surpresa, veio por sobre o Starnbergersee
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,
Com um aguaceiro súbito; parámos na colunata,
And went on in sunlight, into the Hofgarten,
E seguimos, já com sol, para o Hofgarten,
And drank coffee, and talked for an hour.
E tomámos café e ficámos uma hora a conversar.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
And when we were children, staying at the archduke’s,
E quando éramos pequenos, e ficámos em casa do meu primo,
My cousin’s, he took me out on a sled,
O arquiduque, ele levou-me a andar de trenó
And I was frightened. He said, Marie,
E eu apanhei um susto. Disse, Marie,
Marie, hold on tight. And down we went.
Marie, segura-te bem. E fomos por ali abaixo.
In the mountains, there you feel free.
Nas montanhas, aí sim sentimo-nos livres.
I read, much of the night, and go south in the winter.
Leio, quase toda a noite, e vou para o sul no Inverno.
Aqui uma tradução de Gualter Cunha (1999, Relógio d’Água). Retirado de Da Literatura
April is the cruellest month, breeding
Abril é o mês mais cruel, gera
Lilacs out of the dead land, mixing
Lilases da terra morta, mistura
Memory and desire, stirring
A memória e o desejo, agita
Dull roots with spring rain.
Raízes dormentes com chuva da Primavera.
Winter kept us warm, covering
O Inverno aconchegou-nos, cobriu
Earth in forgetful snow, feeding
A terra com o esquecimento da neve, alimentou
A little life with dried tubers.
Alimentou uma pequena vida com bolbos ressequidos.
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee
O Verão apanhou-nos de surpresa, veio por sobre o Starnbergersee
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,
Com um aguaceiro súbito; parámos na colunata,
And went on in sunlight, into the Hofgarten,
E seguimos, já com sol, para o Hofgarten,
And drank coffee, and talked for an hour.
E tomámos café e ficámos uma hora a conversar.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
And when we were children, staying at the archduke’s,
E quando éramos pequenos, e ficámos em casa do meu primo,
My cousin’s, he took me out on a sled,
O arquiduque, ele levou-me a andar de trenó
And I was frightened. He said, Marie,
E eu apanhei um susto. Disse, Marie,
Marie, hold on tight. And down we went.
Marie, segura-te bem. E fomos por ali abaixo.
In the mountains, there you feel free.
Nas montanhas, aí sim sentimo-nos livres.
I read, much of the night, and go south in the winter.
Leio, quase toda a noite, e vou para o sul no Inverno.
Sábado, 14 de Abril de 2012
Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Qual o lugar mais interessante? O palco ou os bastidores?
Observação:
Aqueles que tudo fazem para viverem sempre no palco, debaixo das luzes, também fazem de tudo (até espiões contratam) para saberem o que se passa nos bastidores.
Aqueles que tudo fazem para viverem sempre no palco, debaixo das luzes, também fazem de tudo (até espiões contratam) para saberem o que se passa nos bastidores.
Etiquetas:
viver
Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
A favor da Melancolia.
John Keats morreu aos 25 anos e já sabia que a Melancolia tem o seu lado bom. Keats faz o elogio da Melancolia e sugere que a tristeza é parte da Alegria.
Já a Depressão só aparece para fazer mal. É detestável.
Já a Depressão só aparece para fazer mal. É detestável.
Não, não te aproximes das águas do Letes, nem queiras recolher o vinho venenoso do acónito, cujas raízes estão entrelaçadas;
evita que tua fronte pálida se deixe beijar
pela beladona, as vermelhas bagas de Prosérpina;
não teças o teu rosário com as sementes dos ciprestes,
nem deixes que o escaravelho ou a borboleta nocturna
sejam a tua fúnebre Psique, ou que torne o mocho,
de penugem tão macia, o confidente da tua dor misteriosa
— porque, unida às outras sombras, uma sombra virá
cheia de torpor
e há-de extiguir, dentro da tua alma, uma angústia vigilante
evita que tua fronte pálida se deixe beijar
pela beladona, as vermelhas bagas de Prosérpina;
não teças o teu rosário com as sementes dos ciprestes,
nem deixes que o escaravelho ou a borboleta nocturna
sejam a tua fúnebre Psique, ou que torne o mocho,
de penugem tão macia, o confidente da tua dor misteriosa
— porque, unida às outras sombras, uma sombra virá
cheia de torpor
e há-de extiguir, dentro da tua alma, uma angústia vigilante
Mas se, inesperado, o acesso da melancolia descer
do céu, como se fosse as lágrimas duma nuvem
que reanima as flores, cujas hastes tristemente pendiam,
e as verdes colinas oculta sob um véu primaveril,
então, deixa que se tranquilize a tua dor sobre uma rosa
matinal.
sobre o arco-íris que surge junto às vagas e à areia salgada
ou sobre o esplendor esférico das peónias;
ou se, cheia de delícia, aquela que tua amas se exalta<
pega na sua mão delicada, deixa que ela delire
e bebe nos seus incomparáveis olhos, longamente.
do céu, como se fosse as lágrimas duma nuvem
que reanima as flores, cujas hastes tristemente pendiam,
e as verdes colinas oculta sob um véu primaveril,
então, deixa que se tranquilize a tua dor sobre uma rosa
matinal.
sobre o arco-íris que surge junto às vagas e à areia salgada
ou sobre o esplendor esférico das peónias;
ou se, cheia de delícia, aquela que tua amas se exalta<
pega na sua mão delicada, deixa que ela delire
e bebe nos seus incomparáveis olhos, longamente.
Com ela vive a beleza — que deve morrer,
e a alegria cuja mão se leva aos lábios
para dizer adeus; e, próximo, fica o doloroso prazer
que se transforma em veneno quando as abelhas dos lábios o
aspiram.
Sim, no interior do próprio templo da alegria
está o altar soberano da melancolia, coberta de véus,
apenas visível para aquele que consegue provar
as uvas da alegria, com um impetuoso e puro desejo;
mas o seu espírito depous há-de sentir amargamente
o poder que ela tem ao ficar entre seus troféus
nebulosos…
e a alegria cuja mão se leva aos lábios
para dizer adeus; e, próximo, fica o doloroso prazer
que se transforma em veneno quando as abelhas dos lábios o
aspiram.
Sim, no interior do próprio templo da alegria
está o altar soberano da melancolia, coberta de véus,
apenas visível para aquele que consegue provar
as uvas da alegria, com um impetuoso e puro desejo;
mas o seu espírito depous há-de sentir amargamente
o poder que ela tem ao ficar entre seus troféus
nebulosos…
John Keats (1775 - 1825)
Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
Domingo, 1 de Abril de 2012
Sexta-feira, 30 de Março de 2012
Olha, paciência!
Eles querem que uma pessoa tenha paciência com toda a gente e com todo o tipo de atitudes . Não acho nada mal. Pode até estar muito certo em determinadas situações. O que me confunde é quem isso sugere não ter paciência nenhuma para a outra pessoa.
Haver gente assim (sábia, bondosa e imaculada) é até tocante.
Etiquetas:
paciência
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